Resenha - Noturnos - John Connolly

Ano: 2016 / Páginas: 294
Idioma: português
Editora: Bertrand Brasil

Crianças acreditam que monstros são reais. Adultos tentam convencê-las do contrário — ou de que, no final, eles sempre serão derrotas. Nesta que é sua primeira coletânea de contos, John Connolly escreve sobre os mundos infantil e adulto em confronto em dezesseis histórias absolutamente assombrosas, com ecos de alguns dos mestres do horror — M.R. James, Ray Bradbury, Stephen King —, mas sem abrir mão da voz única e inconfundível que o consagrou em O Livro das Coisas Perdidas. Amores perdidos, crianças desaparecidas, demônios predatórios e fantasmas vingativos são apenas alguns dos ingredientes que compõem esta imperdível antologia.

Noturnos é a primeira coletânea de contos de John Connolly, mais conhecido por O Livro das Coisas Perdidas e a série Samuel Johnson. Nela, o autor nos apresenta 16 contos inéditos e assombrosos, repletos de amores perdidos, crianças desaparecidas, demônios, fantasmas... John Connolly escreve sobre adultos e crianças, mas essas não são, de forma alguma, histórias a serem contadas aos pequenos. Estão cheias de sangue, violência, medo e perigo. 

Dentre os diversos contos, que falam sobre os mais diversos assuntos, como doenças, vampiros, bruxas, fadas, objetos mágicos, etc, alguns se destacam, como: Crianças às vezes se perdem, um conto curto, mas curioso, sobre palhaços assustadores; A balada do caubói canceroso, que fala sobre um estranho caubói que mata pessoas apenas com o toque; A nova filha, que mostra que as fadas nem sempre são boazinhas... Contos que exploram o obscuro, apostando na tensão, e contam histórias assombrosas.

A escrita do John me lembrou bastante a de autores como Stephen King e Joe Hill; são bem detalhadas, mas sem serem tediosas. O autor consegue desenvolver os contos de forma hábil, e mesmo os contos mais curtos têm bastante história. Ele consegue dar um passado e personalidades convincentes aos personagens em poucas páginas. 

Dentre os contos, os que mais gostei mesmo foram os citados acima. Alguns eu acho que poderiam ter sido melhores, e um em especial me incomodou por mostrar como o ser humano pode cruel, mas, em suma, os contos são bem legais e alguns são bem originais, como o dos palhaços, e um chamado O macaco no tinteiro. O melhor dos contos é o mistério. Você nunca sabe onde aquilo vai dar e fica curioso em ver como termina, então fica preso até o final de cada conto. 

Não dá para comentar sobre todos, até porque são 16 contos, mas quem gosta de um bom suspense, banhado do sobrenatural e de criatividade, com certeza vai adorar Noturnos.

A edição da Bertrand ficou maravilhosa, aliás. A capa tem relevo com verniz, as folhas são amareladas, e em cada começo de capítulo tem uma pequena ilustração. Super curti.

Leitura recomendada :D


Lançamentos de Novembro - Editora Arqueiro e Sextante Editora


Oi galera!

E chegou novembro!!!! Vem cá conferir os últimos lançamentos do ano da Editora Arqueiro e Sextante Editora! Só tem coisa boa!!!!

Resenha - Magônia - Maria Dahvana Headley

Ano: 2016 / Páginas: 308
Idioma: português
Editora: Record

Uma fantasia original com ótimos personagens, complexidade emocional e um universo fantástico. Aza Ray nasceu com uma estranha doença incurável que faz com que o ato de respirar se torne mais difícil. Aos médicos só resta prescrever medicamentos fortes na esperança de mantê-la viva. Quando Aza vê um misterioso navio no céu, sua família acredita que são alucinações provocadas pelos efeitos do medicamento. Mas ela sabe que não está vendo coisas, escutou alguém chamar seu nome lá de cima, nas nuvens, onde existe uma terra mágica de navios voadores e onde Aza não é mais a frágil garota enferma. Em ''Magônia'', ela não só pode respirar como cantar. Suas canções têm poderes transformadores e, através delas, Aza pode mudar o mundo abaixo das nuvens. Em uma brilhante e sensível estreia no gênero young adult, Maria Dahvana Headley constrói uma fantasia rica em nuances e cheia de simbolismo.



Aza Ray Boyle desde criança sofre com uma doença que faz com que respirar seja um trabalho complicado. Sua vida é feita de hospitais e remédios em fase de teste. Ninguém consegue diagnosticar qual sua doença, o que é o mais frustante. 

Mas, apesar de tudo, Aza tenta seguir sua vida de forma natural. Ela tem uma família incrível e um melhor amigo perfeito, por quem é secretamente apaixonada... Só que as coisas começam a ir de mal a pior.

Perto de completar 16 anos, Aza começa a alucinar. Ela vê um enorme navio navegando por trás das nuvens e ouve vozes vindas do céu, chamando por seu nome, gritando por ela. Ela tenta ao máximo ignorar e ser uma pessoa normal, acreditando que são apenas efeitos dos remédios, mas então sua saúde começa a ficar instável e o pior acontece: Aza morre.

Ou, pelo menos, é o que todos acreditam. Mas Aza acorda a bordo de um barco cheio de híbridos pessoas-pássaros que dizem que ela é a filha perdida da capitã e está em Magônia, um antigo mundo oculto nas nuvens. Lá, Aza consegue respirar novamente e, melhor ainda, consegue cantar. Seu canto possui um poder imenso e com ele ela pode mudar tudo ao seu redor. 

Mas grandes poderes em mãos erradas podem levar a grandes catástrofes e Aza precisa descobrir em quem ela pode confiar, para salvar a si mesma e aqueles que ama.

Sou matéria escura. O universo dentro de mim está cheio de alguma coisa, e nem a ciência consegue ter ideia do que seja. Sinto como se fosse feita quase inteiramente feita de mistérios.

Eu tinha expectativas beeeem diferentes sobre Magônia. A premissa e a capa do livro são bem chamativas e instigantes, o que me fez ficar louco para lê-lo; o livro não atingiu minhas expectativas da forma como eu esperava, mas acabou me surpreendendo no final. Estranho? Vou explicar.

Fiquei um pouco "perdido" no começo do livro. Nas primeiras páginas a narrativa (na visão de Aza) é um tanto intensa e confusa, cheia de frases longas e muita informação de uma vez só, mas ainda assim eu não desisti. Aos poucos, a narrativa foi melhorando e logo eu conseguia acompanhar - e gostar - da história contada pela personagem.

Outra coisa que me incomodou no começo foi: o mundo criado pela autora é BEM diferente. Não um diferente ruim, mas precisei de um tempo para me acostumar. Não vou me aprofundar porquê pode ser spoiler, mas algumas coisas eu fiquei bem "o que tá acontecendo?" haha Sei que é um livro de fantasia, mas a autora foi bem fundo no sentido de fantasia haha.

Por mais que tenha me deixado confuso no começo, eu gostei de Aza. Ela é uma personagem decidida, corajosa e cheia de personalidade. E Jason, seu amigo, não fica pra trás. Esperto, confiante, determinado... Os dois personagens, e os demais, conseguiram me conquistar e tornar a leitura mais prazerosa.

Em suma, Magônia é um livro ótimo. Não é perfeito, mas conquista o leitor com sua trama rica em fantasia e aventura. O mundo criado pela autora, mesmo que bem diferente do que estamos acostumados, é encantador e cheio de magia. Eu adorei a leitura (sério, quem não gosta de pessoas-pássaros?).

O final é o ponto alto do livro, cheio de surpresas e ação. Me prendeu bastante e me deixou louco pela continuação, já que terminou em um momento chave da história. Ficaram algumas pontas soltas na trama e várias possibilidades a serem exploradas, mas acredito que a autora vá trabalhar melhor isso em Aerie (vol. 2).

Super recomendo a leitura!


Resenha - O Menino Que Desenhava Monstros - Keith Donohue

Ano: 2016 / Páginas: 256
Idioma: português
Editora: DarkSide Books

Um livro para fazer você fechar as cortinas e conferir se não há nada embaixo da cama antes de dormir. O Menino que Desenhava Monstros ganhará uma adaptação para os cinemas, dirigida por ninguém menos que James Wan, o diretor de Jogos Mortais e Invocação do Mal.
Jack Peter é um garoto de 10 anos com síndrome de Asperger que quase se afogou no mar três anos antes. Desde então, ele só sai de casa para ir ao médico. Jack está convencido de que há de monstros embaixo de sua cama e à espreita em cada canto. Certo dia, acaba agredindo a mãe sem querer, ao achar que ela era um dos monstros que habitavam seus sonhos. Ela, por sua vez, sente cada vez mais medo do filho e tenta buscar ajuda, mas o marido acha que é só uma fase e que isso tudo vai passar.
Não demora muito até que o pai de Jack também comece a ver coisas estranhas. Uma aparição que surge onde quer que ele olhe. Sua esposa passa a ouvir sons que vêm do oceano e parecem forçar a entrada de sua casa. Enquanto as pessoas ao redor de Jack são assombradas pelo que acham que estão vendo, os monstros que Jack desenha em seu caderno começam a se tornar reais e podem estar relacionados a grandes tragédias que ocorreram na região. Padres são chamados, histórias são contadas, janelas batem. E os monstros parecem se aproximar cada vez mais.
Na superfície, O Menino que Desenhava Monstros é uma história sobre pais fazendo o melhor para criar um filho com certo grau de autismo, mas é também uma história sobre fantasmas, monstros, mistérios e um passado ainda mais assustador. O romance de Keith Donohue é um thriller psicológico que mistura fantasia e realidade para surpreender o leitor do início ao fim ao evocar o clima das histórias de terror japonesas.


Jack Peter tem síndrome de Asperger. Desde pequeno, seus pais perceberam que ele era diferente das outras crianças e, no começo, os médicos diziam que era apenas uma fase ou que era normal, até que o diagnóstico foi inevitável. Não bastasse isso, aos sete anos ele seu melhor amigo quase se afogaram e desde então Jack desenvolveu agorafobia.

Jip (apelido do Jack) sempre foi um garoto intenso; quando ele decide fazer algo, ele faz apenas aquilo por um longo período de tempo e carrega com ele seu amigo, Nick. O novo vício de Jack é desenhar monstros, mas isso parece também ter algo a ver com seu medo de sair de casa; ele parece acreditar que os monstros estão lá fora, esperando que ele saia para pegá-lo. 

Ter medo de monstros é normal para uma criança, até certo ponto, mas tudo deixa de ser normal quando coisas estranhas começam a acontecer na casa. Sua mãe começa a ouvir vozes, seu pai vê um estranho homem branco andando pelas redondezas, batidas misteriosas e aparições assombram a casa... Os pais de Jip acham que podem estar ficando loucos e buscam por respostas, mas, enquanto eles andam em círculos, os monstros que Jack Peter desenha em seu caderno começam a ganhar vida e podem estar bem próximos de conseguir o que querem.

” Ultimamente, os monstros vinham persegui-lo dentro dos sonhos. Eles pousavam a mão em seus ombros. Sussurravam em seus ouvidos enquanto ele dormia…” ⠀⠀⠀
⠀⠀⠀
O Menino Que Desenhava Monstros foi um livro que me pegou de surpresa. De cara, eu esperava um livro mais puxado para o terror, mas Keith Donohue nos apresenta uma obra prima em forma de thriller psicológico, que explora a fantasia e a realidade da mente humana, cheia de tensão e bons personagens.

Os personagens de Donohue são habilmente desenvolvidos; com personalidades marcantes, cheios de medos e certezas, eles se mostraram bastante reais e deram charme e alma à trama. Eles conseguem transmitir os sentimentos aos leitores e fazê-los se sentirem parte da história. O Jip me encantou e me amedrontou ao mesmo tempo, acreditem.

O livro me deixou tenso do início ao fim, não nego. Em momento algum eu achei a narrativa arrastada ou tediosa; a escrita do Keith me conquistou pela simplicidade e pela habilidade que o autor tem de manter o leitor preso à história. Eu ficava sempre querendo saber onde aquilo ia dar, como os personagens iam enfrentar tal dilema... Foi uma leitura maravilhosa.

Apesar de já suspeitar do desfecho, eu o adorei mesmo assim, e a única ressalva que tenho em relação ao livro é: queria mais páginas. Não estava pronto para dizer adeus ao Jip e aos seus monstros.

Leiam O Menino Que Desenhava Monstros assim que puderem.

Resenha - Um Novo Mundo - Bibi Tatto


Ano: 2016 / Páginas: 144
Idioma: português
Editora: Novas Páginas

O tempo está correndo e Bibi precisa alcançar logo seu irmão, Gagui, senão...
Você conhece o mundo do Minecraft? Então certamente sabe quem é a Bianca Tatto, ou melhor, Bibi! Ela tem hoje um dos canais mais importantes no Youtube sobre Minecraft, com dicas e experiências que divide com um grupo de mais de um milhão de inscritos que a segue e comenta tudo que posta. Também é considerada a garota gamer mais assistida entre os youtubers do Brasil, além de uma das maiores do mundo. Neste livro, Bibi apresenta uma incrível competição entre o avatar dela e o do Gagui dentro de um novo mundo que ela criou no jogo. Enquanto isso, alterna a história com momentos divertidos de sua vida e confusões reais que se meteu durante seus dezesseis anos de idade. Se você curte Minecraft e procura por uma empolgante história, não pode deixar de saber quem sairá vencedor dessa perseguição! Preparado para a aventura?

Gostaria de começar essa resenha contando um fato a vocês: eu não SUPORTO Minecraft. Meu irmão era viciado nisso e eu passei a odiar esse jogo (até porquê ele é bem sem graça). Mas um fato maior que esse é que o jogo é um sucesso mundial e os canais no YouTube voltados para o jogo crescem mais e mais a cada dia, então não demorou muito a ele invadir também as páginas dos livros.

Em Um Novo Mundo, quem ainda não conhece (como eu) passa a conhecer a Bibi, que tem um dos mais importantes canais sobre Minecraft do YouTube, além de ser considerada uma das maiores garotas gamers assistidas do Brasil.

Nesse livro, acompanhamos ela em uma aventura no jogo, que corre bem até seu irmão, Gagui, invadir o jogo e propor a ela um desafio, fazendo-a rever suas estratégias para conseguir vencê-lo. Será que ela consegue?

O livro mistura bem as aventuras dela no jogo com fatos reais da sua vida, sobre sua infância e o início do canal, então isso torna o livro uma ficção biográfica, como eu gosto de chamar haha 

A escrita da Bibi é bem simples (pelo menos, ela mesma escreveu!), mas bem fluída e até divertida de se ler. O livro é fininho, não muito detalhista, mas com certeza é uma boa leitura para os fãs do jogo. Para mim não foi muito empolgante pela razão que falei no começo... eu não entendo muito como o jogo funciona haha 

De qualquer forma, é um livro divertido. Se você curte Minecraft, vale a pena dar uma chance.