Resenha - Lembra Aquela Vez - Adam Silvera

Ano: 2017 / Páginas: 336
Idioma: português
Editora: Rocco Jovens Leitores

Finalista na categoria romance juvenil do Prêmio Lambda, o mais tradicional do segmento de literatura LGBT do mundo, e celebrado por veículos como The New York Times (“lindo romance de estreia”) e Chicago Tribune (“comovente”), entre outros, Lembra aquela vez conta a história de um garoto do Bronx (re)descobrindo sua sexualidade. Aos 16 anos, Aaron carrega no pulso uma cicatriz que registra a dor pelo suicídio do pai, mas, com o apoio da mãe e da namorada, Genevieve, está determinado a seguir em frente. Quando a garota viaja para um acampamento, porém, Aaron se aproxima de Thomas, e acaba encontrando nele mais do que um melhor amigo. Confuso, Aaron considera recorrer ao LETEO, um instituto que realiza procedimentos científicos para apagar memórias indesejáveis, na tentativa de esquecer lembranças ruins e, principalmente, quem ele é. Mas será possível encontrar a felicidade fugindo de si mesmo? Com uma narrativa pungente e sincera, Adam Silvera fala sobre bullying, homofobia, medo, incertezas, ética, amizade, amor, aceitação e a procura pela felicidade.


A história começa com Aaron fazendo um comentário sobre a Leteo um instituto que promete um tratamento que muda e suprime algumas memorias não desejadas. Alguns acreditam que possa ser verdade outros nem tanto.

“A primeira vez que vi um cartaz no metrô divulgando o instituto capaz de fazer as pessoas esquecerem as coisas, pensei que se tratasse de uma campanha de marketing para um novo filme de ficção cientifica. E quando vi a manchete “Aqui hoje, esquecido amanhã” na capa de um jornal, pensei que a matéria falasse de algo sem graça, como a cura para um novo tio de gripe”.

Aaron é um adolescente de16 anos, que vive com sua mãe e seu irmão em uma casa pequena e bem simples.

Após encontrar seu pai morto na banheira de casa por suicídio, Aaron não entende o porquê e também tenta um suicídio. Em seus pulsos ele traz as cicatrizes que ele costuma dizer que se parece com sorrisos. Sua mãe sempre triste pela perda do marido, e até com raiva por ele tê-los deixado dessa maneira, sempre olhas os folhetos da Leteo. Mesmo com todas as adversidades, ele é um adolescente como qualquer outro. Sua namorada Genevieve é quem te da forças para seguir, com quem ele também pode conversar. 

Durante uma brincadeira com os amigos Aaron conhece Thomas, que mora no conjunto habitacional vizinho, logo ficam amigos. Quando Genevieve vai para um retiro de artista, Aaron se aproxima cada vez mais de Thomas. Seus amigos começam a desconfiar de algo, e fica claro que Thomas está se apaixonando por Thomas. 

“Thomas também corre o dedo sobre a cicatriz depois cutuca meu pulso duas vezes. Seus dedos estão sujos do ioiô e de outras coisas do telhado. Mas agora eu entendo; ele desenhou olhos, com duas impressões digitais sujas sobre a cicatriz.”

Os amigos não aceitam e acabam dando uma surra em Aaron, o que já é uma confusão em sua cabeça se torna ainda pior. Ele começa a se recordar de coisas que antes não estavam em sua cabeça.

Este é um livro triste, acredito que por ser mãe de dois adolescentes me apeguei a Aaron, e as dores deles me afetaram bastante, no começo a história tem esse ritmo bem lento, com uma linguagem bem adolescente mesmo. Quando Aaron começa a sentir que algo esta diferente, ele começa a sofrer com isso, e me passou na cabeça o que esta acontecendo no Brasil, com a tal “cura gay”, e o sofrimento das pessoas que são humilhadas, agredidas por preconceitos ridículos. 

E quando você percebe que Aaron já sofre com a pobreza e com a perda do pai, e ainda sofre por estar descobrindo sua identidade sexual, com tanto preconceito, tudo se passa na cabeça, pois isso é uma grande realidade nos dias de hoje. 

Quanto ao Instituto Leteo, não acredito que realmente valeria a pena esquecer memoria ruins para seguir, pois são das dores que tiramos forças para continuar a vida. 

Eu não consigo descrever exatamente o que senti ao final dessa leitura, mas sofri bastante, é um livro bem marcante, e triste. É narrado em primeira pessoa, então o leitor consegue entender bem o que se passa na cabeça do personagem. Recomendo a leitura sem sombra de duvidas, pois é um ótimo livro. 

Resenha por Bel Líbera


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